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IBAMA
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, DOS RECURSOS HÍDRICOS E DA AMAZÔNIA
LEGAL
INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS
RENOVÁVEIS
PRESS RELEASE
ARARA-AZUL-DE-
LEAR, Anodorhyncus leari AMEAÇADA POR CAPTURAS ILEGAIS NA NATUREZA
Brasília, 14 de julho de 1998.
A arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) é atualmente uma das
espécies de aves mais ameaçadas de extinção no mundo. O número de aves na
natureza não ultrapassa 130 indivíduos. Ela se encontra em uma situação
extremamente crítica, tendo em vista a reduzida população remanescente, a
destruição parcial do habitat e sua restrita distribuição. A área de ocorrência
da espécie, na região semi-árida do estado da Bahia, foi descoberta somente em
1978 pelo pesquisador Helmut Sick e seus colaboradores.
Devido a raridade e a precária situação em que se encontra esta espécie, a
CITES - Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies da Fauna e Flora
Ameaçadas de Extinção - do qual o Brasil faz parte desde 1975, lhe conferiu o
mais alto grau de proteção.
Além de ser signatário da CITES, o Brasil também possui legislação própria
que confere proteção aos animais da fauna silvestre. A lei Federal 5.197 de 3 de
janeiro de 1967, proíbe o comércio ou posse de espécimes da fauna silvestre e de
produtos e objetos que impliquem na sua caça, perseguição, destruição ou apanha.
A partir desta data, tornou-se portanto, ilegal a manutenção de araras-de-lear
em cativeiro, estando os infratores sujeitos aos rigores da legislação penal e
administrativa vigentes no país. É importante destacar, que até o presente,
nunca houve a emissão de autorizações para exportação destas aves por parte das
autoridades brasileiras.
O governo brasileiro, demonstrando sua grande preocupação e empenho para a
conservação da arara-azul-de-lear, criou em 1992 um Grupo de Trabalho hoje
denominado Comitê para a Preservação da Arara-azul-de-lear. O Comitê é
responsável pelo desenvolvimento de um plano de conservação para essa espécie,
incluindo a proteção do habitat, pesquisa e programas educacionais. O Comitê é
também responsável pela arrecadação de fundos e implementação de atividades
necessárias à conservação da espécie.
Afora a proteção legal e o empenho do governo brasileiro, várias instituições
nacionais e internacionais têm contribuído para a conservação da
arara-azul-de-lear. Dentre elas, destacam-se: o Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, IBAMA; o Ministério do Meio
Ambiente, através do Fundo Nacional do Meio Ambiente, FNMA; a Fundação Zoológico
de São Paulo, a Fundação Biodiversitas, Bush Gardens (USA), Houston Zoological
Park (USA). Outros grupos também tem oferecido seu apoio, tais como: World
Parrot Trust (UK), Wildlife Conservation Society (USA); PETROBRAS e CETREL S.A.
Apesar de todos os esforços legais e a contribuição de diversas instituições,
como as acima mencionadas, o comércio ilegal tem sido, nos últimos anos, o
principal fator de declínio da espécie.
O IBAMA, em colaboração com a polícia federal, Departamento de
Desenvolvimento Florestal do estado da Bahia - DDF/BA, e outras instituições,
vêm trabalhando no sentido de coibir as capturas de araras-de-lear na natureza.
Exemplos disto foram as apreensões feitas no Brasil em 1995, quando uma arara
foi apreendida em posse de um traficante chamado Paraíba. No início de 1998, a
equipe de campo do projeto surpreendeu e prendeu dois indivíduos munidos com
redes de captura, na área de ocorrência da espécie; e em maio de 1998, mais oito
aves foram confiscadas em Rondônia, em posse de um aviculturista (Zezão).
As capturas ilegais têm como objetivo atender demandas de colecionadores
nacionais e internacionais. Em 1996 foram apreendidos por autoridades francesas
e repatriados dois exemplares, em posse do Sr. Laurence Kuah Kok Choon.
Infelizmente, uma das aves morreu na aduana do aeroporto francês durante o
processo de repatriação.
No momento, duas outras tentativas de repatriação estão sendo feitas pelo
governo brasileiro. Uma junto ao governo de Cingapura, que apreendeu em janeiro
de 1998, novamente em posse do Sr. Laurence Kuah Kok Choon, dois exemplares
desta arara, e outra, junto ao governo da Inglaterra, que durante o corrente ano
apreendeu três exemplares.
A expectativa, nos dois últimos casos, é de que, seguindo o exemplo do
governo francês, as aves que se encontram no exterior sejam repatriadas,
conforme solicitação do governo brasileiro e de acordo com as normas da CITES.
A posição oficial do governo brasileiro e do Comitê para a Preservação da
Arara-Azul-de-lear é de que todas as aves apreendidas passem por um processo de
reabilitação e aquelas que estiverem aptas, voltem ao seu ambiente natural,
desde que garantida sua permanência na natureza.
A recuperação de espécies ameaçadas e a proteção da biodiversidade é um
compromisso que deve ser assumido seriamente pelos governos. O tráfico de
animais silvestres, particularmente das espécies raras e ameaçadas é um problema
que ultrapassa as fronteiras entre os países e somente pode ser enfrentado com
apoio e cooperação entre as partes.
XXXXXXXXXXXXXX
Contatos:
Maria Iolita Bampi
Chefe do Departamento de Vida Silvestre
Diretoria de Ecossistemas
SAIN - Av. L-4 Norte
Edificio Sede - IBAMA
70800-200 - Brasília/ DF
(Fone): (061) 225 8150
(Fax): (061) 316 1067
(e-mail): mbampi@ibama.sede.gov.br
Luiz Francisco Sanfilippo
Presidente do Comitê para preservação da Arara-Azul-de-Lear
Av. Miguel Estefano 4241,
04301-905 - São Paulo/ SP
(Fone): (011) 276 0811
(Fax): (011) 276 0564
(e-mail): aves@zoologico.com.br
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